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A Galáxia, e mais!

Quem mora em cidade grande muitas vezes nem percebe, mas convive com muita poluição luminosa. Não é a toa que numa fazenda, numa praia afastada, ou em outro local longe das grandes cidades, o céu é muito mais estrelado. Esses lugares sem poluição luminosa são ideais para ver, e também para fotografar o céu noturno.

Quando cheguei da Expedição Transamazônica Challenge, em abril de 2014, eu tinha um arrependimento martelando minha cabeça sem parar. Em um mês de viagem, dormimos em acampamentos umas dez noites. Eram ambientes no meio da Floresta Amazônia ou da Gran Sabana Venezuelana, onde não havia nenhuma poluição luminosa além das lanternas e lamparinas do acampamento, e eu não fiz nenhuma tentativa de fazer fotos do céu. Na verdade, na época, nem passou pela minha cabeça, mas depois percebi que deveria ter tentado.

Fiquei com isso na cabeça, até que no final de outubro último fui fazer fotos de um evento em Praia dos Garcez, próximo a Nazaré das Farinhas/BA. Chegamos na quinta-feira, 27 de outubro na Pousada Paraíso Perdido, organizamos as coisas, e quando anoiteceu eu vi a oportunidade de, finalmente, tentar alguma coisa em astrofotografia, mesmo sem nenhum conhecimento, nenhuma pesquisa prévia, nenhum equipamento especial, somente um plano muito vago de focar no infinito e fazer umas exposições longas pra ver no que dava. Peguei a câmera, o tripé, uma lanterninha, e fui para um canto escuro tentar fotografar, sabendo que, com o perdão do trocadilho, ia dar um tiro no escuro.

Cheguei no meu canto, pus a câmera no tripé, ajustei foco no infinito, iso 400, f/3.5, e fui fotografando em RAW, apontando para várias direções.

Fui fazendo fotos, virando pra lá, pra cá, ajustando tempo de exposição (no caso, as fotos que prestaram foram feitas em 30 segundos; não pude passar disso porque esqueci o disparador). Consegui umas imagens legais do céu, até que em uma área mais povoada de estrelas apareceu uma mancha esbranquiçada! Fiquei mais um tempo, fiz mais umas fotos nessa direção e fui baixar as fotos para ver na tela grande o que eu tinha conseguido.

Baixei as fotos, e fui vendo que tinha conseguido algumas fotos bacanas do céu estrelado: nada muito espetacular, mas por outro lado, nada mau diante da minha experiência e equipamento, e principalmente, diante das minhas pretensões.

Até que cheguei a fotografia acima, dei uma mexida na exposição, contraste, e vi que provavelmente era a Via Láctea! Fui pesquisar, e confirmei que era mesmo. Localizei as constelações de Escorpião e Sagitário, que aparecem bem no meio da mancha da Galáxia, e mais outra constelação fácil de localizar ali perto chamada Corona Australis (Ou Corona Austrina). Só que tinha algumas coisas diferentes nas imagens da Via Láctea que eu via na internet.

A primeira e mais óbvia é o tracejado que aparece mais ou menos no meio/direita da foto. Essa não teve muito o que pensar. Pelo padrão retinho, com um espaçamento constante, imaginei que seria um satélite ou avião. Não sei se teria como descobrir o que era…. Talvez haja alguma forma de saber se algum satélite teve sua trajetória passando por ali naquele momento, mas eu não vou procurar saber. Pra mim é um satélite, ou um avião.

A segunda coisa diferente que eu percebi, comparando essa imagem com outras da Via Láctea, foi essa “estrela” mais brilhante, logo acima do coqueiro da direita da foto. Esse era de longe o objeto mais brilhante dessa região do céu. Eu fiz esse enquadramento mirando na luz da povoação que aparece, e nele, pois eram algumas das poucas coisas que eu via pelo visor da câmera. Pois bem: as outras fotos que outros já fizeram não mostram esse corpo tão brilhante naquela posição, perto de Escorpião e da Via Láctea, então eu assumi que deveria ser um planeta, e não uma estrela. Percebam a sorte: sem nenhuma preparação, eu tinha conseguido uma foto da Via Láctea com um satélite passando bem no meio dela, e um planeta ali pertinho!!!

Fui pesquisar mais. Encontrei um site que me forneceu um mapa do céu no local e horário em que essa foto foi feita (na imagem, está marcado o enquadramento aproximado da foto), e vi que a sorte era maior ainda! Aquele astro brilhante realmente era um planeta. Era Vênus. Mas, além de Vênus, ainda tinha Saturno ali coladinho!!! E poderia ter mais: observando a carta celeste, eu vi que Marte estava ali perto também, um pouco acima de Sagitário, e por pouco não entrou no enquadramento.

Ah... e pra completar, descobri também que aquelas luzes no chão são de Morro de São Paulo, uma das praias mais lindas do mundo.

Sei que é uma foto que tem uma série de problemas: Está granulada, levemente tremida (pelo movimento do espelho; como eu já disse, esqueci o disparador e tive que disparar as fotos usando o timer da câmera), e tem mais pós-produção do que eu gostaria que tivesse (precisei subir a exposição quase 2 EVs, e fiz umas mexidas um pouco agressivas em contraste e sombras). Mas é claro que eu fiquei muito satisfeito com o resultado. Fui brincar de fazer longas exposições apontando pro céu, não esperava quase nada, e consegui a Via Láctea com as constelações de Escorpião e Sagitário, um satélite passando no meio disso tudo, os planetas Venus e Saturno e ainda Morro de São Paulo na mesma foto! Tá ótimo!

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